sábado, 23 de novembro de 2013

A importância do preparo teológico na proclamação do evangelho de Cristo


O mundo globalizado tem nos trazido por meio de seus avanços tecnológicos, inúmeras informações acerca de coisas, outrora, encobertas pelas limitações dos tempos remotos. Por conta de tais avanços, temos sido informados todos os dias pela mídia em geral, sobre fatos e acontecimentos ao redor do mundo. Dentre diversas ocorrências no cenário mundial, recebemos também, informações concernentes a práticas antiéticas e imorais no ambiente religioso. Em especial, não querendo generalizar, destaco o movimento da igreja evangélica no Brasil. Lamentavelmente, o caminho que muitas denominações ligadas ao movimento em questão têm percorrido, é antagônico aos princípios do cristianismo bíblico. Nota-se no evangelicalismo brasileiro contemporâneo, uma confusão sem precedentes em relação ao verdadeiro significado do "cristianismo". É possível, observar em meio a isso, uma fragilidade bíblico-teológica, na maioria das vezes, por desprezar o preparo dos vocacionados ao ministério da palavra. A falta de qualificação de obreiros tem gerado um "caos" na história da igreja contemporânea. Infelizmente, ainda existem aqueles que atribuem tudo ao Espírito Santo e menosprezam a participação do homem no processo de construção da educação cristã. As escrituras chegaram em nossas mãos por meio da inspiração divina junto a autores humanos, que, tinham como objetivo, deixar um registro dos fatos históricos do cristianismo primitivo para a geração futura. Deus contou com o homem! O ministério de ensino através do “mestre” na igreja, visa instrumentalizar o vocacionado para a obra do Senhor, afim de que este se torne um obreiro aprovado, apto para ensinar e não tenha de que se envergonhar. Segundo o evangelho de João 14:26, Jesus disse que o Espírito Consolador nos ensinaria todas as coisas e nos faria lembrar de tudo o que disse. Sendo assim, como será possível o Espírito Santo nos lembrar daquilo que não aprendemos, no tocante aos ensinos de Cristo por meio das escrituras sagradas? O Espírito só nos fará lembrar aquilo que sabemos!

* Dentre tantos, quero enumerar pelo menos três motivos que percebo levar a "liderança" de muitas igrejas locais e denominações, a não estimular o vocacionado ao preparo teológico:

1   Iº  -  Quando o próprio líder não passou por uma escola teológica,
   IIº -  Por sentir que o vocacionado e membro de sua igreja possa ser uma  ameaça à sua liderança,
    IIIº -  Por querer manipular sua comunidade em detrimento aos seus próprios interesses.

No texto bíblico de Lucas 10:38-42, que narra Jesus na casa de Marta e Maria, enquanto Marta inquietamente preocupava-se em servi-lo além do suficiente, Maria estava aos seus pés ouvindo seus ensinamentos. Essa história reflete em grande parte nosso evangelicalismo brasileiro. Marta exemplifica o ativismo pós moderno e o humanismo, ao inquietar-se de tal forma, a pedir que Jesus dissesse a sua irmã para ajudá-la a servi-lo. Enquanto Maria é o exemplo fiel do cristão que pelo ensino correto das escrituras, supera o ativismo, o humanismo e o relativismo bíblico, além de servir como bom exemplo de cristianismo.




Que a graça de Deus nos ajude a superar os desafios do tempo presente, levando-nos a uma consciência de que necessitamos estar sempre aprendendo e nos qualificando para melhor servir o corpo de Cristo.

“A possibilidade do conhecimento de Deus encontra-se na Palavra de Deus e em nenhum outro lugar”. Karl Barth


Marco Mardine - Bacharel em Teologia Fathel/Unifil, Bacharel em Filosofia (Faculdade Sinal), Licenciado em Filosofia (ISCH) Pós-Graduado em Ciências da Religião (Faculdade Sinal).

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



DEUS ESTÁ ABALANDO SUA IGREJA!

       As décadas de 70 e 80 foram marcadas pelo uso da televisão para divulgação do evangelho, sobretudo, nos EUA pelos chamados "televangelistas" que surgiram para pastorear a igreja eletrônica do Séc. XX, tendo como seus principais ícones: Pat Robertson com sua rede de televisão CBN, Jim Bakker com sua rede de televisão PTL, Rex Humbard, Oral Roberts, Jimmy Sweggart, Robert Shuller, Kenneth Copeland, James Robison e muitos outros.
       Alguns alcançaram projeção mundial com a transmissão de seus programas por vários países da América Latina, África e Ásia. Alguns propagaram fortemente um evangelho de prosperidade e sucesso, como Robert Shuller com seu programa “Hora de Poder”; outros pregaram uma mensagem carismática enfatizando cura e libertação. Jimmy Sweggart, em particular ficou conhecido por combater ferozmente o comunismo, o mundanismo e muitas outras coisas. De todos eles, os que mais alcançaram popularidade no Brasil foram Rex Humbard, Pat Robertson e Jimmy Sweggart.
       Mas o que mais marcou a era dos evangelistas foi a queda de alguns deles envolvendo sexo e dinheiro no final da década de 80. Nos jornais e revistas do mundo inteiro apareceram manchetes como estas: “Guerra Santa: Dinheiro, Sexo e Poder”, “Deus e o Dinheiro: Escândalo Sexual, Luxúria e Ganância por poder Explodem o Mundo da Pregação na TV”.
(Texto extraído do livro de John Walker, “A Igreja do Século XX”, A História que não foi Contada, Editora Atos).


       Será que existe alguma diferença no cenário evangelical norte americano das décadas de 70 e 80 em relação ao cenário evangelical brasileiro contemporâneo?
       Se caminhamos pelos trilhos da sensatez, logo perceberemos que a igreja evangélica brasileira vai na mesma direção da Igreja americana da década de 80. Uma das evidências está nos escândalos causados por grande parte dos televangelistas brasileiros, envolvendo "dinheiro, sexo e poder". Tudo está diante de nossos olhos. Considerando essas verdades, urge a necessidade de fazermos a seguinte indagação: " Qual deve ser a postura da comunidade cristã de modo geral frente a essas questões?"  Devemos nos calar sob a justificativa, que não devemos tocar nos "ungidos" de Deus?, Ou, devemos num tom de puritanismo religioso dizer: "apenas oremos!" 
       Recebemos muitas coisas boas advindas dos EUA. Louvamos a Deus pelos missionários íntegros que contribuíram na evangelização de nossa nação. Entretanto, temos permitido que teologias anti-bíblicas exerçam grande influência em nossas práticas teológicas. A despeito destas coisas, posso afirmar que estamos reproduzindo os mesmos princípios que trouxeram dor e ruína para a igreja norte americana na década de 80. Pessoas frustradas, feridas e decepcionadas com a graça, estão clamando por socorro todos os dias.
       Concomitantemente em que me alegro ver televangelistas, evangelistas e comunidades cristãs, dando forte ênfase na conquista de vidas para Cristo, entristeço - me,  pelo fato de que diversas delas, estão decepcionadas e fora da igreja por haver contradição em relação ao "discurso e prática bíblica". O abuso de autoridade tem sido um dos principais vilões no seio da igreja. O espírito triunfalista, a messianidade e a ostentação por luxo, poder e riquezas têm dominado lideranças das mais diversas. Alianças e associações cristãs formam conchavos políticos e usam o rebanho de Jesus para alcançar objetivos antagônicos à sua vontade. Ainda que venhamos nos calar, "Deus não se cala!" Enquanto muitos de nós nos acovardamos e tememos o homem, "Deus já está abalando sua igreja!"
       Muitas das vezes Deus age por meio do "pneuma" que é o conceito do novo testamento para um espírito manso e encorajador. Todavia, Ele é também "ruach", que é a palavra do velho testamento para "bramido, um vento destruidor". É bem provável que a igreja brasileira, esteja prestes a experimentar esta ação poderosa de Deus. É questão de tempo para o Ruach de Deus trazer a tona todas às obras das trevas em nosso cenário evangelical brasileiro. Os ministros do evangelho ditadores, gananciosos, fraudulentos e mentirosos, serão expostos pela mídia nacional como nunca houve antes em nossa nação. "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz a igreja."



Marco Mardine - Bacharel em Teologia (Fathel/Unifil), Bacharel em Filosofia (Faculdade Sinal), Licenciado em Filosofia (ISCH) e Pós-Graduado em Ciências da Religião (Faculdade Sinal).

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

“O CAPITALISMO E A ÉTICA EVANGELICAL”

Segundo o economista e sociólogo alemão Max Weber em seu enunciado histórico intitulado: A Ética protestante e o “Espírito” do Capitalismo (Die protestantische Ethik und der ‘Geist’ des Kapitalismus) é defendido pelo autor o estabelecimento de um raciocínio lógico capitalista, que o mesmo denomina “racionalismo”. O autor parte desse pressuposto, após a leitura realizada através da comparação da Alemanha do período com outros países civilizados do planeta em condição de desenvolvimento semelhante, ou seja, com a existência do capitalismo e empresas capitalistas, sendo identificado no capitalismo, uma estrutura social, política e ideológica ímpar, que pode se ditar como a condição ideal para o surgimento do capitalismo moderno, que no seu interior, defende a paixão pelo lucro como demonstração de prosperidade, fé e salvação.

Para Weber, após a reforma de Lutero, surge uma forma de vida de caráter metódico, disciplinado e racional. Da base moral do protestantismo surge não só a valorização religiosa do trabalho e da riqueza, mas também uma forma de vida que submete toda a existência do indivíduo a uma lógica férrea e coerente: uma personalidade sistemática e ordenada. Segundo o artigo sobre “Reforma Protestante” de Pedro Camargo, Parece contraditório, mas a questão econômica foi à razão da reforma protestante, sendo que os seus precursores usando de seus poderes, religiosos, e políticos, propuseram inconscientemente uma alteração na estrutura jurídica, para justificar o novo sistema econômico que nascia o Capitalismo.

Segundo Camargo, este sistema que se utilizou todos meios para se manter até os dias atuais, parece que se transforma com a sociedade, e a mantém refém da economia de mercado, onde o ter é a palavra de ordem, já o ser é fruto de mentes desocupadas e fora da realidade do mundo capitalista. Partindo deste pressuposto, é válido estabelecer um pensamento crítico à axiologia do movimento evangelical contemporâneo, ou seja, sobre os valores que sociabilizam ao processo do Kerigma na Eclésia. De forma simplória, quero problematizar a questão em nosso contexto evangélical, fazendo a seguinte pergunta: Qual tem sido o verdadeiro valor para o evangelicalismo brasileiro?

Será que é o amar a Deus e ao próximo conforme Jesus nos ensinou de forma imperativa? Ou será que é o apego ao materialismo numa espécie de hedonismo desenfreado?

Tenho observado em nossos dias atuais, o quanto a sociedade vem passando pelo processo de mudanças rápidas. Concomitantemente, noto que a igreja não tem conseguido acompanhar essas mudanças sem perder seus princípios e valores de fé pautados na ortodoxia bíblica. Deveríamos a exemplo dos primeiros cristãos, mantermo-nos firmes e fiéis à doutrina dos apóstolos. Entretanto, o que temos são novas doutrinas, novos movimentos, novas igrejas e uma nova ordem para todas as coisas. As pessoas são vistas como cifras numéricas e valorizadas segundo o que elas possuem. O homem não tem tido seu valor pelo que é. Muitos de nossos líderes cristãos, tem se preocupado com a evangelização numa perspectiva de crescimento quantitativo para o aumento na arrecadação orçamentária de sua comunidade eclesial. Entendo que não há como desassociar a igreja institucional da realidade capitalista, pois essa é uma estrada sem volta. Ainda que a igreja quanto instituição declare não ter fins lucrativos, a mesma precisa do capital para sobreviver. Tudo acaba girando em torno do lucro. Entretanto, não podemos fazer disso uma justificativa para comercializarmos vidas que buscam na igreja refrigério para sua alma, ensinando-lhes que quem der mais será abençoado, pois isso solapa a boa fé das pessoas trazendo-lhes desconforto espiritual e emocional. Podemos sim de forma bíblica, ensiná-las que a generosidade e liberalidade, são manifestações de nossa gratidão a Deus porquanto tudo que tem feito. Não investimos na obra de Deus para sermos ricos, e sim por que já somos ricos pela graça do Eterno! (Grifo do autor).

Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. (Fp.1:21)