sábado, 21 de fevereiro de 2015

Evangelho da Graça - Discurso e Prática



“Somente os tolos exigem perfeição, os sábios se contentam com a coerência.” (Provérbio Chinês)

“Nem sempre reconhecer nossas imperfeições é uma questão de virtude, pois, apesar disso ser um princípio verdadeiro, o que de fato fala mais alto é a coerência entre o discurso e a prática.” (grifo do autor).

Falamos sobre amor, respeito, santidade, espiritualidade, humildade, altruísmo e outras coisas mais, entretanto, de forma vazia e sem vida, cujo resultado comumente se desemboca apenas em figura de retórica.

Em algum momento nos meus 25 anos como pregador do evangelho, agi em contraposição aos ensinos das escrituras sagradas. Sempre procurei colocar bem as palavras enunciadas de forma que os ouvintes pudessem entender com clareza. Isso não é errado, porém, quando não há coerência entre o discurso e a prática, isso se torna sem sentido. É o mesmo quando afirmarmos que tal comida é boa sem a termos saboreado.

Apesar da real convicção de fé no Salvador Jesus, num determinado momento da vida, minha religião pessoal não conseguiu resistir sua maravilhosa graça. Seus ensinos, além de trazer alento à minha alma, me confrontaram de tal maneira que cedi, erradicando de cena meus achismos e teologismos.  Fui banhado por sua luz que me trouxe entendimento sobre o tipo de evangelho que estava vivendo. Na realidade, vivia o meu próprio evangelho. adequava-o a meus próprios interesses, a minha própria religião.

Quando confrontado pela simplicidade da graça no evangelho de Cristo, aprendi então que deveria assumir minhas culpas, pedir perdão a quem de direito, me esforçar para ser um cristão melhor. A partir desta sinergia com a graça, passei a viver sem crises existenciais, sem medo de Deus e dos homens, sobretudo como gente, gente que sente que fracassa que chora que entristece que se aborrece, todavia, quando tocado por essa graça no caminho, se arrepende, se desnuda, confessa, se lança no pó e abraça fortemente o grande porto seguro: a cruz de Cristo.

O cristianismo não é meramente uma religião ou sistema dogmático elaborado pelas instituições cristãs, e sim, uma caminhada com Cristo no mais íntimo do ser. A síntese disso tudo é que quando vivemos imersos em Cristo através de uma vida alinhada coerentemente à sua palavra e não na religião ou dogmas de homens, desfrutamos da verdadeira liberdade proposta pelo Messias salvador no cume do calvário.


Sola Gratia!

Marco Mardine - Bacharel em Teologia, Bacharel e Licenciado em Filosofia e Pós Graduado em Ciências da Religião.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Breve Histórico da Igreja de Deus no Mato Grosso do Sul

“Um povo sem história é um povo sem memória. Essa afirmação, mais que um dito já popular, é também uma verdade histórica, pois todos os agrupamentos humanos que não preservaram sua memória – em histórias, documentos, objetos de arte e arquitetura – acabaram sucumbindo a ditaduras e até acabaram por desaparecer da face da terra.” (saibahistoria.blogspot.com)

             Igreja de Deus no Brasil – Sua origem no Mato Grosso do Sul.

Conforme as relevantes informações do Iº Secretário Tesoureiro Nacional da IDB em 2002, Pr. Dario de Sousa Campos, a Igreja de Deus lançou sua base no final dos anos 70 e início dos anos 80 através dos esforços do Supervisor da Região Centro Oeste na época Pr. Salomão Ribeiro, por meio da aquisição de um terreno no Bairro Nhá Nhá na cidade de Campo Grande - MS. Naquele momento, houve também a união com a Igreja de Deus de um pastor independente cujo nome era Benedito Arantes. Ainda na década de 80, o referido pastor já havia se desligado da Igreja de Deus. 

A oficialização da Igreja de Deus no Mato Grosso do Sul aconteceu no dia 15 de fevereiro de 2002 nas dependências do templo sito à rua Saladino Nunes, 545, Bairro Oliveira I na cidade de Campo Grande - MS. Sua origem deu-se pela união de um grupo de irmãos oriundos da Igreja do Evangelho Quadrangular sob a liderança do Pr. Marco Antônio B. Mardine.


Em uma assembleia local com o então Supervisor da Região do Triângulo Mineiro Pr. Geceni Biano Vaz, foram recebidos como membros da Igreja de Deus cerca de trinta e quatro pessoas. Naquele dia, a nova igreja passava a ser parte integrante da Região do Triângulo Mineiro.

Em 2005, por conta da localização geográfica do estado de Mato Grosso do Sul no centro oeste brasileiro, após proposta do Pr. Marco Antônio B. Mardine e diálogo entre os Supervisores: Pr. Reinaldo de Sousa (Região do Triângulo Mineiro) e Pr. José Quirino Rodrigues (Região Centro Oeste), sobretudo, com o apoio do Superintendente Nacional Pr. Expedito Ferreira de Melo, foi feito a transição da Igreja de Deus no Mato Grosso do Sul. 

Naquela nova configuração, a Igreja de Deus no Mato Grosso do Sul passava a ser a parte integrante da Região Centro Oeste.

Atualmente, a Igreja de Deus no Brasil conta com cerca de 10 novas igrejas no estado. 

Segue abaixo, imagens da liderança pioneira na Implantação da Igreja de Deus no Mato Grosso do Sul:


                                                           


                                                                Bispo José Quirino
                                   Supervisor da Região Centro Oeste (2005)



                                                              Bispo Salomão Ribeiro
                          Supervisor da Região Centro Oeste na década de 80




Bispo Dário de Souza Campos
Iº Secretário Tesoureiro Nacional (2002-2013)

















Pr. Marco Antônio B. Mardine
Pastor da IDB em Campo Grande - MS (2002-2010)


Bispo Expedito Ferreira de Melo
Superintendente Nacional (2002-2006)
Bispo Geceni Biano Vaz
Supervisor Regional do Triângulo Mineiro (2002)






Bispo Reinaldo de Moraes
Supervisor da Região do Triângulo Mineiro (2003)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Um Elogio a Sinceridade



Relendo o livro Purê de Batatas do Pr. Abe Huber, me deparei com uma singela palavra que faz toda a diferença no nosso contexto de vida em sociedade, família, igreja e grupos de amizades. Conta-se que este vocábulo é de origem romana, cujo significado em latim é: "Sini Cera", ou seja, "Sem Cera". A palavra em questão da à ideia de algo puro, sem mistura. De acordo com o Blog Sine Cera, diz à história que na antiga Roma, oleiros desonestos "maquiavam" os vasos que rachavam passando cera, encobrindo assim as rachaduras, o fazendo parecer um vaso em perfeito estado. Assim, um vaso sine cera era o vaso autêntico, sem maquiagem. Tentarei expor minhas idéias "sem ceras", expor o que eu realmente creio, sem maquia-las para agradar alguém. Certezas e incertezas que surgem do que vivi, observei, senti. Tentarei ser então Sine Cera, mesmo tendo muita cera em mim... A partir da reflexão sobre SINCERIDADE, me veio alguns insights sobre a questão em nossos cotidianos, em especial, nas redes sociais, pois podemos perceber quantos ATORES temos a nossa volta! Temos os que se manifestam com palavras de motivação quando eles próprios não acreditam em si mesmos, também temos os que esbanjam felicidades quando na realidade estão interiormente tristes e insatisfeitos com a vida, além daqueles que postam suas fotos com aspecto de bem estar quando na realidade estão depressivos e amargurados com familiares, amigos e igreja. Necessitamos tirar as máscaras! É possível contar com a ajuda de um Deus bondoso e misericordioso que está sempre pronto para aliviar as cargas dos francos e honestos de coração! Basta sermos sinceros em relação ao que estamos vivendo e sentindo! As escrituras nos garantem que o Senhor da graça aos humildes. Entretanto, não podemos nos esquecer de que nossa SINCERIDADE deve operar tanto na vertical com Deus, como na horizontal para com os que estão a nossa volta. Sendo assim, urge também a necessidade de sermos transparentes em nossas ações e relacionamentos de modo geral. Pensemos nisso!!!


Por Marco Mardine

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Para que serve a teologia?"



Não são poucas as vezes que me deparo com pessoas menosprezando o saber teológico. Infelizmente em nosso contexto cristão evangelical, dá-se mais ênfase no apelo místico do que nas escrituras sagradas propriamente falando, sobretudo, em nossa nação brasileira por trazer em seu DNA uma forte influência sincrética religiosa. Ao invés de se buscar uma espiritualidade saudável, bíblica e cristocêntrica, tem se dado lugar a uma espiritualidade vazia e cheia de misticismos. Os crentes na maioria das vezes, exaltam um contato direto com um “Ser” transcendente por meio de suas próprias experiências religiosas. Notadamente, nos meios “Pentecostais e Neo – Pentecostais”, não querendo generalizar, é mais comum de se perceber o forte apelo místico. Quando o foco está mais na experiência litúrgica pessoal, como adoração, oração e contemplação, sem linearidade com as escrituras sagradas, tais práticas não passam de mero “misticismo”. Partindo desses pressupostos, tenho por convicção que não devemos divorciar práticas litúrgicas (Oração, adoração e contemplação), de um bom conhecimento bíblico teológico, principalmente para aqueles que almejam desenvolver seu ministério no serviço cristão. Por conta disso, a teologia não deve ser "satanizada", pois a mesma nos ajuda a entender o agir de Deus na história da humanidade através dos registros bíblicos desde os tempos mais remotos. “Menosprezar a teologia é cuspir no prato em que comemos todos os dias”, pois, tudo que sabemos acerca da doutrina bíblica cristã, chegou até nós em decorrência dos esforços dos “Pais da Igreja” (Leia-se, teólogos, professores, mestres cristãos e bispos importantes) à partir do  Iº  e 2º século. Os mesmos trabalharam incansavelmente na organização de tópicos doutrinários, afim de que, pudéssemos ter em mãos de forma sistematizada nossos credos e confissões doutrinárias. Portanto, que venhamos em nossas igrejas, incentivar os candidatos ao ministério, a preparar-se teologicamente, de forma que cumpramos  responsavelmente nosso papel na evangelização e comunhão, sobretudo, na construção de uma cristandade cada vez mais parecida com Cristo.

                                                                      Sola Escriptura!

Marco Mardine - Bacharel em Teologia (Fathel/Unifil), Bacharel em Filosofia (Faculdade Sinal), Licenciado em Filosofia (ICSH) e Pós Graduado em Ciências da Religião (Faculdade Sinal).

sábado, 23 de novembro de 2013

A importância do preparo teológico na proclamação do evangelho de Cristo


O mundo globalizado tem nos trazido por meio de seus avanços tecnológicos, inúmeras informações acerca de coisas, outrora, encobertas pelas limitações dos tempos remotos. Por conta de tais avanços, temos sido informados todos os dias pela mídia em geral, sobre fatos e acontecimentos ao redor do mundo. Dentre diversas ocorrências no cenário mundial, recebemos também, informações concernentes a práticas antiéticas e imorais no ambiente religioso. Em especial, não querendo generalizar, destaco o movimento da igreja evangélica no Brasil. Lamentavelmente, o caminho que muitas denominações ligadas ao movimento em questão têm percorrido, é antagônico aos princípios do cristianismo bíblico. Nota-se no evangelicalismo brasileiro contemporâneo, uma confusão sem precedentes em relação ao verdadeiro significado do "cristianismo". É possível, observar em meio a isso, uma fragilidade bíblico-teológica, na maioria das vezes, por desprezar o preparo dos vocacionados ao ministério da palavra. A falta de qualificação de obreiros tem gerado um "caos" na história da igreja contemporânea. Infelizmente, ainda existem aqueles que atribuem tudo ao Espírito Santo e menosprezam a participação do homem no processo de construção da educação cristã. As escrituras chegaram em nossas mãos por meio da inspiração divina junto a autores humanos, que, tinham como objetivo, deixar um registro dos fatos históricos do cristianismo primitivo para a geração futura. Deus contou com o homem! O ministério de ensino através do “mestre” na igreja, visa instrumentalizar o vocacionado para a obra do Senhor, afim de que este se torne um obreiro aprovado, apto para ensinar e não tenha de que se envergonhar. Segundo o evangelho de João 14:26, Jesus disse que o Espírito Consolador nos ensinaria todas as coisas e nos faria lembrar de tudo o que disse. Sendo assim, como será possível o Espírito Santo nos lembrar daquilo que não aprendemos, no tocante aos ensinos de Cristo por meio das escrituras sagradas? O Espírito só nos fará lembrar aquilo que sabemos!

* Dentre tantos, quero enumerar pelo menos três motivos que percebo levar a "liderança" de muitas igrejas locais e denominações, a não estimular o vocacionado ao preparo teológico:

1   Iº  -  Quando o próprio líder não passou por uma escola teológica,
   IIº -  Por sentir que o vocacionado e membro de sua igreja possa ser uma  ameaça à sua liderança,
    IIIº -  Por querer manipular sua comunidade em detrimento aos seus próprios interesses.

No texto bíblico de Lucas 10:38-42, que narra Jesus na casa de Marta e Maria, enquanto Marta inquietamente preocupava-se em servi-lo além do suficiente, Maria estava aos seus pés ouvindo seus ensinamentos. Essa história reflete em grande parte nosso evangelicalismo brasileiro. Marta exemplifica o ativismo pós moderno e o humanismo, ao inquietar-se de tal forma, a pedir que Jesus dissesse a sua irmã para ajudá-la a servi-lo. Enquanto Maria é o exemplo fiel do cristão que pelo ensino correto das escrituras, supera o ativismo, o humanismo e o relativismo bíblico, além de servir como bom exemplo de cristianismo.




Que a graça de Deus nos ajude a superar os desafios do tempo presente, levando-nos a uma consciência de que necessitamos estar sempre aprendendo e nos qualificando para melhor servir o corpo de Cristo.

“A possibilidade do conhecimento de Deus encontra-se na Palavra de Deus e em nenhum outro lugar”. Karl Barth


Marco Mardine - Bacharel em Teologia Fathel/Unifil, Bacharel em Filosofia (Faculdade Sinal), Licenciado em Filosofia (ISCH) Pós-Graduado em Ciências da Religião (Faculdade Sinal).

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



DEUS ESTÁ ABALANDO SUA IGREJA!

       As décadas de 70 e 80 foram marcadas pelo uso da televisão para divulgação do evangelho, sobretudo, nos EUA pelos chamados "televangelistas" que surgiram para pastorear a igreja eletrônica do Séc. XX, tendo como seus principais ícones: Pat Robertson com sua rede de televisão CBN, Jim Bakker com sua rede de televisão PTL, Rex Humbard, Oral Roberts, Jimmy Sweggart, Robert Shuller, Kenneth Copeland, James Robison e muitos outros.
       Alguns alcançaram projeção mundial com a transmissão de seus programas por vários países da América Latina, África e Ásia. Alguns propagaram fortemente um evangelho de prosperidade e sucesso, como Robert Shuller com seu programa “Hora de Poder”; outros pregaram uma mensagem carismática enfatizando cura e libertação. Jimmy Sweggart, em particular ficou conhecido por combater ferozmente o comunismo, o mundanismo e muitas outras coisas. De todos eles, os que mais alcançaram popularidade no Brasil foram Rex Humbard, Pat Robertson e Jimmy Sweggart.
       Mas o que mais marcou a era dos evangelistas foi a queda de alguns deles envolvendo sexo e dinheiro no final da década de 80. Nos jornais e revistas do mundo inteiro apareceram manchetes como estas: “Guerra Santa: Dinheiro, Sexo e Poder”, “Deus e o Dinheiro: Escândalo Sexual, Luxúria e Ganância por poder Explodem o Mundo da Pregação na TV”.
(Texto extraído do livro de John Walker, “A Igreja do Século XX”, A História que não foi Contada, Editora Atos).


       Será que existe alguma diferença no cenário evangelical norte americano das décadas de 70 e 80 em relação ao cenário evangelical brasileiro contemporâneo?
       Se caminhamos pelos trilhos da sensatez, logo perceberemos que a igreja evangélica brasileira vai na mesma direção da Igreja americana da década de 80. Uma das evidências está nos escândalos causados por grande parte dos televangelistas brasileiros, envolvendo "dinheiro, sexo e poder". Tudo está diante de nossos olhos. Considerando essas verdades, urge a necessidade de fazermos a seguinte indagação: " Qual deve ser a postura da comunidade cristã de modo geral frente a essas questões?"  Devemos nos calar sob a justificativa, que não devemos tocar nos "ungidos" de Deus?, Ou, devemos num tom de puritanismo religioso dizer: "apenas oremos!" 
       Recebemos muitas coisas boas advindas dos EUA. Louvamos a Deus pelos missionários íntegros que contribuíram na evangelização de nossa nação. Entretanto, temos permitido que teologias anti-bíblicas exerçam grande influência em nossas práticas teológicas. A despeito destas coisas, posso afirmar que estamos reproduzindo os mesmos princípios que trouxeram dor e ruína para a igreja norte americana na década de 80. Pessoas frustradas, feridas e decepcionadas com a graça, estão clamando por socorro todos os dias.
       Concomitantemente em que me alegro ver televangelistas, evangelistas e comunidades cristãs, dando forte ênfase na conquista de vidas para Cristo, entristeço - me,  pelo fato de que diversas delas, estão decepcionadas e fora da igreja por haver contradição em relação ao "discurso e prática bíblica". O abuso de autoridade tem sido um dos principais vilões no seio da igreja. O espírito triunfalista, a messianidade e a ostentação por luxo, poder e riquezas têm dominado lideranças das mais diversas. Alianças e associações cristãs formam conchavos políticos e usam o rebanho de Jesus para alcançar objetivos antagônicos à sua vontade. Ainda que venhamos nos calar, "Deus não se cala!" Enquanto muitos de nós nos acovardamos e tememos o homem, "Deus já está abalando sua igreja!"
       Muitas das vezes Deus age por meio do "pneuma" que é o conceito do novo testamento para um espírito manso e encorajador. Todavia, Ele é também "ruach", que é a palavra do velho testamento para "bramido, um vento destruidor". É bem provável que a igreja brasileira, esteja prestes a experimentar esta ação poderosa de Deus. É questão de tempo para o Ruach de Deus trazer a tona todas às obras das trevas em nosso cenário evangelical brasileiro. Os ministros do evangelho ditadores, gananciosos, fraudulentos e mentirosos, serão expostos pela mídia nacional como nunca houve antes em nossa nação. "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz a igreja."



Marco Mardine - Bacharel em Teologia (Fathel/Unifil), Bacharel em Filosofia (Faculdade Sinal), Licenciado em Filosofia (ISCH) e Pós-Graduado em Ciências da Religião (Faculdade Sinal).

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

“O CAPITALISMO E A ÉTICA EVANGELICAL”

Segundo o economista e sociólogo alemão Max Weber em seu enunciado histórico intitulado: A Ética protestante e o “Espírito” do Capitalismo (Die protestantische Ethik und der ‘Geist’ des Kapitalismus) é defendido pelo autor o estabelecimento de um raciocínio lógico capitalista, que o mesmo denomina “racionalismo”. O autor parte desse pressuposto, após a leitura realizada através da comparação da Alemanha do período com outros países civilizados do planeta em condição de desenvolvimento semelhante, ou seja, com a existência do capitalismo e empresas capitalistas, sendo identificado no capitalismo, uma estrutura social, política e ideológica ímpar, que pode se ditar como a condição ideal para o surgimento do capitalismo moderno, que no seu interior, defende a paixão pelo lucro como demonstração de prosperidade, fé e salvação.

Para Weber, após a reforma de Lutero, surge uma forma de vida de caráter metódico, disciplinado e racional. Da base moral do protestantismo surge não só a valorização religiosa do trabalho e da riqueza, mas também uma forma de vida que submete toda a existência do indivíduo a uma lógica férrea e coerente: uma personalidade sistemática e ordenada. Segundo o artigo sobre “Reforma Protestante” de Pedro Camargo, Parece contraditório, mas a questão econômica foi à razão da reforma protestante, sendo que os seus precursores usando de seus poderes, religiosos, e políticos, propuseram inconscientemente uma alteração na estrutura jurídica, para justificar o novo sistema econômico que nascia o Capitalismo.

Segundo Camargo, este sistema que se utilizou todos meios para se manter até os dias atuais, parece que se transforma com a sociedade, e a mantém refém da economia de mercado, onde o ter é a palavra de ordem, já o ser é fruto de mentes desocupadas e fora da realidade do mundo capitalista. Partindo deste pressuposto, é válido estabelecer um pensamento crítico à axiologia do movimento evangelical contemporâneo, ou seja, sobre os valores que sociabilizam ao processo do Kerigma na Eclésia. De forma simplória, quero problematizar a questão em nosso contexto evangélical, fazendo a seguinte pergunta: Qual tem sido o verdadeiro valor para o evangelicalismo brasileiro?

Será que é o amar a Deus e ao próximo conforme Jesus nos ensinou de forma imperativa? Ou será que é o apego ao materialismo numa espécie de hedonismo desenfreado?

Tenho observado em nossos dias atuais, o quanto a sociedade vem passando pelo processo de mudanças rápidas. Concomitantemente, noto que a igreja não tem conseguido acompanhar essas mudanças sem perder seus princípios e valores de fé pautados na ortodoxia bíblica. Deveríamos a exemplo dos primeiros cristãos, mantermo-nos firmes e fiéis à doutrina dos apóstolos. Entretanto, o que temos são novas doutrinas, novos movimentos, novas igrejas e uma nova ordem para todas as coisas. As pessoas são vistas como cifras numéricas e valorizadas segundo o que elas possuem. O homem não tem tido seu valor pelo que é. Muitos de nossos líderes cristãos, tem se preocupado com a evangelização numa perspectiva de crescimento quantitativo para o aumento na arrecadação orçamentária de sua comunidade eclesial. Entendo que não há como desassociar a igreja institucional da realidade capitalista, pois essa é uma estrada sem volta. Ainda que a igreja quanto instituição declare não ter fins lucrativos, a mesma precisa do capital para sobreviver. Tudo acaba girando em torno do lucro. Entretanto, não podemos fazer disso uma justificativa para comercializarmos vidas que buscam na igreja refrigério para sua alma, ensinando-lhes que quem der mais será abençoado, pois isso solapa a boa fé das pessoas trazendo-lhes desconforto espiritual e emocional. Podemos sim de forma bíblica, ensiná-las que a generosidade e liberalidade, são manifestações de nossa gratidão a Deus porquanto tudo que tem feito. Não investimos na obra de Deus para sermos ricos, e sim por que já somos ricos pela graça do Eterno! (Grifo do autor).

Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. (Fp.1:21)



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Uma análise eclesiológica à partir da Transcendentalidade e Mundanidade




“Primeiramente, digo que me situo entre aqueles que creem na transcendentalidade. Segundo, me situo entre aqueles que crendo na transcendentalidade não dicotomizam a transcendentalidade da mundanidade.” 
(Paulo Freire)

Refletindo as palavras deste grande educador pernambucano Paulo Freire. Tive um insight sobre a importância do altruísmo cristão a partir da realidade vivida em nosso contexto evangelical. Não são poucas as vezes que nos deparamos com uma proposta de fé centrada apenas no transcendente. Não devemos ser céticos quanto ao mover sobrenatural do Eterno. Entretanto, devemos acreditar na salvação redentiva numa perspectiva de integralidade. A existência do transcendente tem sido sem sombra de dúvida, algo visível na vida e história da igreja cristã por meio do dunamis derramado no dia de pentecostes. Porém, não se pode negar diante das escrituras, que tal “poder” tenha se limitado as questões transcendentais, tais como: Línguas de fogo, curas, milagres, sinais e prodígios realizados pelas mãos dos apóstolos. Pois em contrapartida, o texto de atos no capítulo 6, menciona a preocupação dos doze em relação ao problema social existente naquela ocasião. Tanto é que nomearam homens cheios de “dunamis” para tal serviço. O que vemos e ouvimos muitas das vezes em nosso sistema evangelical, é uma teologia inóspita, ou seja, sem refúgio para os desesperançosos (grifo do autor). O evangelicalismo por conta de sua teologia simplista em grande parte divorcia o transcendente do terreno. Sua proclamação é completamente incoerente frente ao kerigma do Reino. Dificilmente teremos êxito no cumprimento da Missio dei, se não houver um olhar mais crítico quanto a nossa teologia no interior e fora da Eclésia. Segundo Gutiérrez, é somente como pensamento crítico a teologia pode superar o vício em que frequentemente cai de ser ingênua e inocente.
Por Marco Mardine - Bacharel em Teologia, Bacharel e Licenciado em Filosofia e Pós-Graduado em Ciências da Religião.

sábado, 19 de março de 2011

A INFLUÊNCIA DO PAI NA VIDA DO FILHO (legendado)

O IBGE E O FRACASSO DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


O IBGE publicou uma informação que desconstrói totalmente o pressuposto neopentecostal de prosperidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística as famílias chefiadas por uma pessoa que segue a religião espírita têm maior rendimento médio mensal (R$ 3.796) do que as mantidas por um evangélico pentecostal (R$ 1.271), segundo Pesquisa de Orçamentos Familiares.

O analista socioeconômico do IBGE, José Mauro de Freitas Júnior, diz que a escolaridade entre as religiões influenciou nos resultados. "Os maiores rendimentos são dos espíritas muito provavelmente, porque eles têm um grau de escolaridade maior do que os evangélicos pentecostais, que ficaram com a menor renda. Também temos que levar em consideração que as famílias espíritas têm menor concentração de integrantes, 2%, enquanto que as evangélicas de origem pentecostal representam cerca de 11%", afirmou Freitas. Em relação às despesas, a pesquisa apontou que as famílias com maiores gastos total também foram aquelas chefiadas por espírita (R$ 3.617), enquanto as com menores gastos foram as evangélicas pentecostais (R$ 1.301). A maior proporção de famílias (74%) são da religião católica apostólica romana, e seu rendimento médio é de R$ 1.790. Os evangélicos, em geral, atingiram um rendimento médio familiar de R$ 1.500 e representou 17% do grupo familiar entrevistado.

O estudo também se referiu ao item de gastos com pensões, mesadas e doações para as respectivas religiões. As famílias de origem evangélica pentecostal atingiram 21,4 % de despesas com doações (R$ 23), as pertencentes a evangélica de missão atingiram 21,9% (R$ 58) e as outras evangélicas 34% (R$ 59). Outro destaque da pesquisa foi com o item impostos, cuja referência espírita investiu 44,2% (R$ 236), cerca de três vezes a média do Brasil (R$ 79), brasileiros de outras religiões gastaram 42,9% e os que se declaram sem-religião e não-determinada 42,7%.

A pesquisa em questão serviu para confirmar que a prosperidade não é conquistada mediante a obediência de rituais mágicos e catársicos onde as bênçãos de Deus são trocadas ou vendidas por generosas contribuições financeiras.

Caro leitor, é possível que ao ler esta afirmação você esteja dizendo com seus botões: Ué, por que então os pastores da teologia da prosperidade são tão prósperos? "Elementar meu caro Watson", a prosperidade desta corja se deve exclusivamente a venda de milagres, bençãos e indulgências.

Prezado amigo, do ponto de vista bíblico a prospridade não se dá mediante o toma-lá-dá-cá. Na verdade, as Escrituras nos ensinam que a prosperidade se dá ao trabalho. O reformador francês João Calvino acreditava que o homem possuía a responsabilidade de cumprir a sua vocação através do trabalho. Na visão de Calvino, não existe lugar para ociosidade em nossas agendas. E ao afirmar isto, o reformador francês, não estava a nos dizer de que homem deva ser um ativista, ou até mesmo um tipo de worhaholic. Na verdade, Calvino acreditava que a prosperidade era possível desde que fosse consequência direta do trabalho.

Acredito profundamente que se quisermos que nossas familias experimente prosperidade torna-se ncessário que invistamos em pelo menos dois aspectos:

1- Aumento de escolaridade.

Uma das principais marcas de um povo desenvolvido é educação. Infelizmente por fatores diversos, milhões de pessoas em nosso país vivem a margem da sociedade simplesmente pelo fato de terem abandoram a escola. Tenho plena convicção que ao voltar a sala de aula o crente será abençoado por Deus dando-lhe assim novas ferramentas que o ajudarão a experimentar a tão sonhada prosperidade.

2- Melhor qualificação profissional.

Prosperidade se dá mediante o trabalho. Invista na sua profissão. Faça cursos, participe de simpósios, leia muito e aprenda com quem sabe. Nesta perspectiva, seja o melhor sapateiro, eletricista, pedreiro, médico, dentista, advogado, professor e experimente das bênçãos do Senhor.

Caro leitor, tenho plena convicção que se desejarmos construir um país decente e sério, necessitamos romper com alguns paradigmas que nos cercam. Nações bem sucedidas são aquelas que se empenham na construção de valores e conceitos como honestidade, equidade, ética e retidão.

Infelizmente no país do gospel e do decreto espiritual apóstolico, o trabalho nem sempre é visto com bons olhos, até porque nesta perspectiva neo pentecostal, o trabalho foi feito para gente miserável e desqualificada que precisa sobreviver.

Isto posto, afirmo que o tempo de mudarmos nossos conceitos e valores é esse, além é claro de semear no coração do crente em Jesus , a idéia de que o trabalho é reflexo de uma grande bênção divina, a qual deve ser valorizado e dignificado.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens